Contexto Judaico

Contextualizando e Propagando a Mensagem do ETERNO de Israel.

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O Adorável Inferno

 

Um artifício muito utilizado pelos cristãos para conseguir converter pessoas ao seu sistema de crença é a utilização da “apologia do medo”, ou seja, utilizam o medo para impulsionar as pessoas para dentro de suas igrejas. E o que vem a ser este medo? É a doutrina do inferno de fogo eterno.

A base da “evangelização” cristã é: aceite a Jesus e serás salvo...do inferno! Os fiéis são constantemente ameaçados com a iminência de se ir para o inferno, desde que não obedeçam à palavra de Deus, que neste caso, é a palavra dos pastores. O dízimo, por exemplo, é uma doutrina que é explorada ao máximo nas igrejas. Quem não “paga” o dízimo, está sob a maldição de Deus, é ladrão, e por isso, esta pessoa vai para o inferno.

Para ter um efeito maior, acrescentam à doutrina do dízimo, a necessidade de se dar cada vez mais dinheiro para a igreja, mesmo que a pessoa esteja passando necessidade. Os pastores ordenam para que os fiéis “façam prova” de Deus. Isso significa dar até mesmo aquele dinheiro que irá fazer falta para comprar um remédio. Se você for fiel, Deus providenciará o teu remédio de alguma maneira.

O cristão enxerga diabo onde não tem diabo. Vê pecado onde não há pecado. Condena ao inferno a quem Deus dispensa compaixão. Esta é uma característica dos cristãos. Eles também atribuem ao diabo a culpa que logicamente seria do ser humano. Se alguém mata o seu semelhante, foi o diabo que matou. Se alguém cometeu adultério, foi o diabo que induziu ao erro. O ser humano nunca tem culpa de nada! É sempre o diabo que “paga o pato”. Em contrapartida, quase tudo é considerado pecaminoso. Ir à praia, para muitos crentes, é pecado. Ir ao cinema, teatro, show, tudo é pecado. Mas mesmo isentado a pessoa da responsabilidade do pecado e culpando ao diabo, mesmo assim o ser humano está condenado ao fogo do inferno. Parece que os cristãos só conseguem ver diabo no mundo.

É por causa desta visão “demoníaca” que a ênfase no inferno é tão grande. Para converter alguém à sua religião, os cristãos normalmente apelam para a ameaça futura de se ir para o inferno. “Se você não crer em Jesus, perecerá eternamente no inferno” – dizem. Na época em que eu era cristão, eu ouvi um conhecido dizer a um ateu: “Se o que você crer for verdade, eu vou morrer e nada vai acontecer comigo. Mas se o que eu creio for verdade, você vai morrer e passar a eternidade no inferno”. Êta, quanto amor cristão!!!! É assim que eles pregam o “evangelho das boas novas”; através da ameaça.

O Calvinismo, por exemplo, ensina que todo ser humano é depravado desde o nascimento e por isso TODOS estão condenados ao fogo do inferno, exceto aqueles que Deus já predestinou à salvação.

O cientista ateu Richard Dawkins, em seu livro “Deus um delírio”, diz que recebe constantemente e-mails de cristãos, condenando-o ao fogo do inferno. Em um desses e-mails, ele escreve, foi dito: “dou graças a Deus pela existência do inferno, pois assim eu tenho certeza de que você arderá eternamente no fogo, por causa da sua descrença em Deus”. Viu quanto amor cristão? Ao invés de ficar triste com “mais uma alma que se perde”, esta pessoa ficará alegre por causa do sofrimento eterno de um ser que não consegue crer em Deus. Impressionante!

Baseados nesta “visão infernal”, foi criado em uma igreja dos Estados Unidos um tipo de teatro interativo onde o público participa da peça com os personagens. A peça é uma viagem ao inferno, que mostra o destino daqueles que morreram sem Cristo. O negócio é tão horripilante, que a apresentação é proibida para menores de 10 anos. Ou seja, a “palavra de Deus” possui censura. Dizem que quando se sai de uma apresentação dessas, a pessoa sente-se mal e com muito medo. Vê se pode...

Para o cristianismo, o homem é um ser caído, depravado e mau por natureza. É difícil aceitar isso, quando observamos as crianças brincando e vivendo suas brincadeiras e travessuras. Neste momento, percebemos o quanto elas são puras e sinceras. Calvino chegou a dizer que nem todas as crianças que morrem “vão para o céu” mas só aquelas que aceitariam a mensagem de Cristo, se tivessem sido predestinadas a isso. Que tolice!

O judaísmo, ao contrário, não perde seu tempo pensando no inferno ou elaborando maneiras de converter as pessoas através do medo da danação eterna. Muito pelo contrário, o judaísmo procura explorar a existência do homem neste mundo aqui, despertando na consciência das pessoas a importância de se fazer o bem e viver em harmonia com o semelhante e com o Eterno. Sempre de acordo com os ditames da Torá.

Não estamos preocupados em converter o mundo ao judaísmo. Não precisamos disso. Nossos sábios dizem, que todos os justos da terra têm uma porção no mundo vindouro, desde que realmente sejam justos! O judaísmo é uma religião de família. Todo o povo de Israel é uma enorme família! Surgiu com 12 irmãos (os filhos de Jacó) e se transformou ao longo dos séculos em uma grande multidão. E esta multidão somos nós, os judeus.

 

      

Baruch HaShem!