Contexto Judaico

Contextualizando e Propagando a Mensagem do ETERNO de Israel.

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O QUE É TORÁ

 

  

 
O termo Torá” é derivado da raiz hfrfy (yará) e significa “ensinar, instruir, orientar” (conforme Lv. 10:11), muito embora o verbo yará possua o significado primário de “lançar, atirar, jogar, apontar, mostrar”. Por isso, o significado da palavra é “ensino, doutrina, instrução, direção, orientação”. A palavra “lei” é muito fraca para definir toda a extensão do termo “Torá”. A palavra é usada de maneiras diferentes, mas a idéia principal de “ensino” é comum a todas.

No Pentateuco (os cinco livros de Moisés), a palavra “Torá” é usada para todo o corpo de leis referentes a assuntos específicos. Por exemplo: “a lei da oferta de alimentos” (Lv. 6:7), a oferta de culpa (7:1), a lei do nazireu (Nm. 6:21) e especialmente como a soma de todas as leis (Lv. 7:37-38; 14:54-56).

Em versos tais como Dt. 4:44 “e esta é a lei (Torá) que Moisés pôs diante dos filhos de Israel” e Dt. 33:4 “A lei (Torá) que Moisés nos ordenou é uma herança para a congregação de Jacó” e todas as referências bíblicas à “lei de Moisés” (Js. 1:7; Ed. 3:2; 7:6; 8:1, 8; Ml. 4:4), referem-se particularmente ao Pentateuco, distintamente do resto da bíblia. Na literatura posterior, toda a bíblia foi referida como TANAKH (pronuncia-se “tanar”), palavra hebraica originada das primeiras letras das palavras Torá (Pentateuco), Neviim (Profetas) e Ketuvim (Escritos Sagrados), uma maneira de se diferenciar as leis que são de origens bíblicas (em sua forma aramaica, de-Oraita, “da Torá”) das que são de origens rabínicas (de-rabbanan). O termo Torá, no entanto, também é usado para se designar a bíblia como um todo.

O termo passou a ter uma extensão maior, quando se começou a fazer distinção entre a Torá escrita (Torá shebikhetav) e a Torá oral (Torá shebealpeh). O uso do plural Torot (Gn. 26:5) passou a ser considerado como os dois ramos da revelação divina que foram tradicionalmente considerados como tendo sido dados a Moisés no Monte Sinai (conforme o  Talmud da Babilônia, tratado Yomá 28b).

A justificação para isso foi encontrada no verso de Êx. 34:27, que pode ser traduzido literalmente por “escreve para ti estas palavras, pois segundo estas palavras(pela boca destas palavras) fiz uma aliança contigo e com Israel”. A palavra “escreve” (ketav) foi considerada como sendo a autoridade da lei escrita (Torá shebikhetav), ao passo que “segundo estas palavras (“pela boca destas palavras”al pi) foram entendidas como a Torá oral (Torá shebealpê). Isso por causa  da frase “al pi” (literalmente “pela boca”), conforme o tratado Gittim 60b.

Ultimamente, a palavra é usada para denominar todo o corpo de leis da tradição judaica, desde a bíblia até o desenvolvimento das leis rabínicas. No hebraico moderno, a palavra é usada para designar o sistema de um pensador ou estudioso. Por exemplo: “a torá de Spinoza”.     

 

ORIGEM E PREEXISTÊNCIA

 

Existe uma tradição antiga que diz que a Torá já existia não apenas antes de Deus tê-la revelado a Moisés, mas antes mesmo de todo o mundo haver sido criado. O livro apócrifo “Sabedoria de Ben Sira” identificou a Torá como sendo a personificação preexistente da sabedoria(Sab. 1:1-5, 26; 15:1; 24:1; 34:8; conforme Pv. 8:22-31). Na literatura rabínica, foi ensinado que a Torá foi uma das seis ou sete coisas criadas antes mesmo da criação do mundo ( Gênesis Rabá 1:4; Pesachim 54a). De todas as coisas preexistentes, foi dito que apenas a Torá e o trono de glória foram de fato criados, ao passo que as demais coisas foram apenas concebidas, imaginadas e que a Torá precedeu o trono de glória (Gênesis Rabá 1:4).

Rabi Akiva chamava a Torá de “precioso instrumento pelo qual o mundo foi criado” (Avot 3:14). Isso te lembra alguém? Leia Jo. 1:1-3. Fazendo uma analogia com Yeshua, podemos ver que, sendo Ele a encarnação da palavra de Deus (a Torá viva), foi por intermédio dEle (a Torá viva) que Deus fez o mundo. A compreensão dos versículos de Jo. 1:1-3 melhora quando enxergamos através dos “óculos” da sabedoria judaica.   

 

 

NATUREZA E PROPÓSITO

 

Na Bíblia, a Torá é referida como “a Torá do SENHOR” (Êx. 13:9) e como “Torá de Moisés” (Js. 8:31). Nos é dito que ela foi dada como herança para a congregação de Jacó (Dt. 33:4). Seu propósito é fazer Israel “um reino de sacerdotes e nação santa” (Êx. 19:6). Foi dito que “o mandamento é uma lâmpada e a Torá é uma luz” (Pv. 6:23).

A Torá foi chamada de “perfeita”, suas ordenanças “mais doces do que o mel que se forma nos favos” (Sl. 19:8,11; conforme Sl. 119:103; Pv. 16:24). O Salmo de número 119, contendo 176 versos, é uma canção de amor pela Torá que possui preceitos que dão paz e entendimento. No livro apócrifo de Sabedoria de Ben Sira, a Torá é identificada com a sabedoria. Já a Septuaginta, traduziu a palavra hebraica “Torá” pela grega “Nomos” (“lei”), provavelmente no sentido de um estilo de vida de tradições e costumes de um povo. Esta mudança (de Torá para Nomos e subsequentemente para Lex, de onde se origina a palavra Lei), tem levantado ao longo da história o triste e falso entendimento de que a Torá significa legalismo. Porém, legalismo nada mais é do que utilizar-se da lei para adquirir a salvação. É a simples prática da lei com o objetivo único de alcançar a salvação.

É achar que pelo simples fato de se cumprir um mandamento, o reino de Deus já está garantido. Assim, qualquer pessoa poderia entrar no reino de Deus simplesmente cumprindo os mandamentos escritos, mesmo se essa pessoa não acreditasse de fato, que Deus existe.

O que Yeshua combateu foi justamente isso. E não somente isso, mas a hipocrisia de alguns líderes religiosos também. Eles elaboravam diversas leis que eles próprios não cumpriam, mas ordenavam que as pessoas as cumprissem. Foi por isso que Rav Shaul (Paulo) disse: Tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas? Tu, que dizes que não se deve adulterar, adulteras? Tu, que abominas os ídolos, cometes sacrilégio? Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei? (Rm. 2:21-23).

Nem Yeshua e nem Shaul se opuseram à Torá do Eterno. 

Frequentemente a Torá também é personificada. É dito que Deus tomou conselho com a Torá antes dEle criar o mundo. De acordo com uma certa interpretação, o plural utilizado no versículo “façamos o homem” (Gn. 1:26) refere-se a Deus e à Torá (Tanhumá Pekudei 3).

A mensagem da Torá é para toda a humanidade. Antes de Deus dar a Torá a Israel, Deus a ofereceu a todas as demais nações, mas elas recusaram; e quando Ele deu a Torá a Israel, Ele a revelou no deserto (local pouco reivindicado pelos países vizinhos) e simultaneamente em 70 línguas, para que os homens de todas as nações tivessem direito a ela (Talmud Babilônico, Shabat 88b, conforme Avodá Zará 3a: “Um gentio que estuda a Torá é como um sumo-sacerdote”). 

Junto a este universalismo, os rabinos ensinaram a indivisibilidade entre Israel e a Torá. Um rabino afirmava que o conceito de um Israel, existia na mente de Deus antes mesmo que Ele criasse a Torá (Gênesis Rabá 1:4). Além disso, se não fosse por ter aceitado a Torá, Israel não seria “escolhido”, nem seria diferente das outras nações (Nm. 14:10; Êxodo Rabá 47:3).  

Sem dúvida alguma, a Torá é um instrumento de santificação (Lv. 11:44-45; 19:2-37). É a pura palavra do Eterno de Israel. Em Is. 40:8 é dito: “Fenece a grama e murcha a flor, mas a palavra do Eterno subsiste eternamente”. Portanto, a Torá do SENHOR é eterna e imutável, pois ela reflete a imagem do que Deus é e requer do homem.

Muitas das leis da Torá são acompanhadas pela frase “estatuto perpétuo será para as vossas gerações” (Lv. 3:17), provando assim, que enquanto existir um povo chamado Israel, a Torá permanecerá viva e atual. E Israel sempre existirá, pois o próprio ETERNO garante: Assim diz o SENHOR, que dá o sol para luz do dia, e as ordenanças da lua e das estrelas para luz da noite, que agita o mar, bramando as suas ondas; o SENHOR dos Exércitos é o seu nome. Se falharem estas ordenanças de diante de mim, diz o SENHOR, deixará também a descendência de Israel de ser uma nação diante de mim para sempre. Assim disse o SENHOR: Se puderem ser medidos os céus lá em cima, e sondados os fundamentos da terra cá em baixo, também eu rejeitarei toda a descendência de Israel, por tudo quanto fizeram, diz o SENHOR” (Jr. 31:35-37).

 

YESHUA ABOLIU A LEI DE MOISÉS?

 

Em Mt. 5:17, 18 lemos: Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim destruir, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota (yud) ou um til (qotz) se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido” (Ênfase minha).

 

Vamos analisar algumas coisas deste versículo, antes de afirmarmos que YESHUA NÃO ABOLIU A LEI DE DEUS DADA POR INTERMÉDIO DE MOISÉS:

A palavra grega traduzida por “destruir” é jatakuy (katalío) e significa “dissolver, demolir, destruir, derrubar, tornar inútil, subverter, levar a nada, aniquilar, abrogar, descartar”. Acho que estes significados já são suficientes para o entendimento. Então, Yeshua não veio fazer nada destas coisas com a lei (Torá) de Moisés e nem com os profetas. Esta é a primeira conclusão.

A palavra grega traduzida pó “cumprir” é pkgqoy (plerôo) e significa “tornar cheio, completar, fazer abundar, tornar pleno”. Esta palavra aparece nos seguintes versículos:

 

“Estando cheios (plerôo) de toda a iniqüidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade” (Rm. 1:29).

 

“Ora o Deus de esperança vos encha (plerôo) de todo o gozo e paz em crença, para que abundeis em esperança pela virtude do Espírito Santo” (Rm. 15:13).

 

“Pelo poder dos sinais e prodígios, na virtude do Espírito de Deus; de maneira que desde Jerusalém, e arredores, até ao Ilírico, tenho pregado (plerôo) o evangelho de Jesus Cristo” (Rm. 15:19).

 

“Grande é a ousadia da minha fala para convosco, e grande a minha jactância a respeito de vós; estou cheio (plerôo) de consolação; transbordo de gozo em todas as nossas tribulações” (II Co. 7:4).

 

“Da qual eu estou feito ministro segundo a dispensação de Deus, que me foi concedida para convosco, para cumprir (plerôo) a palavra de Deus” (Cl. 1:25).

 

“E sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre (plerôo) tudo em todos (Ef. 1:22-23).

 

Neste último versículo, vale notar que a palavra “plenitude”, salientada por mim, é a palavra grega pkgqyla (pleroma) que vem da mesma raiz que pkgqoy (plerôo) – pkgqgr (pleres) que significa “cheio, preenchido, completo, pleno”. Daí concluímos que Yeshua veio plenificar o entendimento da lei (Torá) e dos profetas. Esta é a segunda conclusão.   

Agora vamos CONTEXTUALIZAR O VERSÍCULO NO MOLDE JUDAICO: O que vem a ser o “jota” descrito por Yeshua? E o que é o “til”? Na verdade, o que Yeshua estava dizendo era que nem um YUD (iota em grego) e nem um QOTZ (keraia em grego) seriam omitidos da lei. O Yud (h)é a menor das letras hebraicas e funciona como o “Y” no alfabeto ocidental. Para se ter uma noção de seu tamanho, observa-a em comparação com as outras letras do alfabeto hebraico: 
 
 

 
 

É bem pequeno não é? E o que vem a ser o QOTZ (ou keraia em grego)? Qotz significa espinho, cardo, pequeno chifre. Mas o que vem a ser este pequeno chifre? O que isso significa?

Vejamos as figuras abaixo:

 

Repare que cada letra hebraica é bem desenhada e possui pequenas pontas (“chifres”).
 

 
Perceba os “chifres”:
 

 
Certas letras são parecidas e só se diferenciam por causa de uma dessas pontas ou chifres, como podemos ver nas letras Beth e Kof:
 

 

O que Yeshua estava querendo dizer, é que nada da lei (Torá), por menor (ou desprezível) que possa parecer, será abolido. Muito pelo contrário, é mais fácil passar a terra e o céu do que cair um destes pequenos pedaços de cada letra da lei (Torá) – Lc. 16:17.

Nos versos seguintes, Yeshua foi muito mais explícito com relação aos mandamentos expressos na Torá. Ele disse que qualquer um que não desse o devido valor a determinado mandamento, por “menor” que ele fosse, e o ensinasse aos homens, esta pessoa seria considerada pequena no reio de Deus. Mas quem observasse até mesmo estes pequenos mandamentos, seria considerado grande no reino de Deus:

 

“Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus” (Mt. 5:19).

 

Portanto, a Torá (ensino de Deus, a instrução que Deus deu aos homens por intermédio de Moisés) continua em vigor em nossos dias, pois a palavra de Deus é eterna.

 

“Seca-se a erva, e cai a flor, porém a palavra de nosso Deus subsiste eternamente” (Is. 40:8).

 

Por último, vale lembrar a admoestação que o apóstolo Yohanan (João) faz aos seguidores do Messias:

 

“Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou” (I Jo. 2:6).

 

E como Ele (Yeshua) andou? Guardando e cumprindo a Torá de seu pai, o Eterno de Israel!

 

Baruch HaShem (Bendito seja o NOME DO SENHOR)!
 
 
 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O texto bíblico permite quatro níveis de interpretação e são eles: Pshat, que é o sentido literal; Remez, que é o sentido alegórico; Drash, que é o ensinamento através do procedimento e, finalmente, Sod, que significa Segredo (que seria a alma da Torá). A torá é um grande código secreto, pesquisado inclusive por cientistas e escritores (vide o livro “O Código da Bíblia”) e interessante seria assinalar que as iniciais dos quatro níveis de interpretação formam a palavra PaRDes, que significa Pomar ou Paraíso.

A Cabala, portanto, se ocupa muito da parte secreta e oculta das Escrituras, e consegue estabelecer perfeita harmonia entre Ciência e Religião, além de explicar até mesmo conceitos atuais da Física Quântica, modernas teorias científicas e estabelecer interpretações sobre o destino da humanidade.
 
 
ver: http://siriusmagna.blogspot.com/2008/11/separao-do-joio-do-trigo-o-que-e-quando.html
 
 
 
 
 
 
 
 
Shlita: (acronym of the five Heb. wds., sheyichyeh l'orech Yomim Tovim amen): abbreviation placed after a person's name, expressing the wish "that he be preserved in life for many good days" Retirado de:
 
Foto abençoadora do Rebe, extraída de http://mregen.sites.uol.com.br/Mashiach.HTM: