Sobre Jesus de Nazaré
Nas passagens do Evangelho de Mateus 3,13-17, Evangelho de Marcos 1,9-11, Evangelho de Lucas 3,21-22 e Evangelho de João 1,29-34, o Espírito Santo é tratado como um ser corpóreo, que é imcompatível com o Judaísmo. Desta forma, apologistas cristãos ensinam que o Espírito Santo foi e é o substituto de Jesus de Nazaré quando ele morreu, e que Jesus de Nazaré é o Terceiro Templo de Jerusalém, baseados no Evangelho de João, segundo está escrito:
“Estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. Encontrou no templo os negociantes de bois, ovelhas e pombas, e mesas dos trocadores de moedas. Fez ele um chicote de cordas, expulsou todos do templo, como também as ovelhas e os bois, espalhou pelo chão o dinheiro dos trocadores e derrubou as mesas. Disse aos que vendiam as pombas: “Tirai isto daqui e não façai da casa de meu Pai uma casa de negociantes.” Lembraram-se então os seus discípulos do que está escrito: O zelo da tua casa me consome (Sal 68,10). Perguntaram-lhe os judeus: “Que sinal nos apresentas tu, para proceder deste modo?” Respondeu-lhes Jesus: “Destruí vós este templo, e eu o reerguerei em três dias.” Os judeus replicaram: “Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu hás de levantá-lo em três dias?!” Mas ele falava do templo do seu corpo. Depois que ressurgiu dos mortos, os seus discípulos lembraram-se destas palavras e creram na Escritura e na palavra de Jesus. Enquanto Jesus celebrava em Jerusalém a festa da Páscoa, muitos creram no seu nome, à vista dos milagres que fazia. Mas Jesus mesmo não se fiava neles, porque os conhecia a todos. Ele não necessitava que alguém desse testemunho de nenhum homem, pois ele bem sabia o que havia no homem” (Evangelho de João 2,13-25).
Nesta passagem evangélica o autor explica que Jesus de Nazaré se refere ao templo do corpo dele, o que não está registrado nas passagens do Evangelho de Mateus 21,12-17, Evangelho de Marcos 11,15-19 e Evangelho de Lucas 19,45-48. O que significa o templo do corpo dele? Significa afirmar que o corpo de Jesus de Nazaré substituiria ou que substituiu o Templo de Jerusalém? Se a resposta é sim, então por que ele entrou no Templo de Jerusalém derrubando a mesa dos cambistas ou trocadores de moedas, derrubando os bancos e as cadeiras dos negociantes de bois, ovelhas e pombas e expulsando os mercadores, referindo-se ao mesmo como a Casa do Meu Pai, conforme está registrado nas passagens do Evangelho de Mateus 21,12-17, Evangelho de Marcos 11,15-19, Evangelho de Lucas 19,45-48 e Evangelho de João 2,13-25?
Ou será que significa afirmar que o corpo de Jesus de Nazaré substituiria os sacrifícios realizados no Templo de Jerusalém? Por outro lado, está se afirmando implicitamente que com a morte de Jesus de Nazaré, seria iniciado o seu reinado, sendo ele o Terceiro Templo? Se a resposta é sim, como foi o reinado de Jesus de Nazaré nestes dois mil anos de supremacia do Cristianismo, repleto de perseguições, mortes, guerras, misérias e pestes? E depois de tantas desgraças que já houve, muitas das quais provocadas por líderes de igrejas que ensinavam em nome de Jesus de Nazaré, veio o chamado Fim, predito por ele?
Não. Como, então, entender as passagens do Evangelho de Mateus 24,29-44, Evangelho de Marcos 13,24-37 e Evangelho de Lucas 21,25-38? Nestas passagens evangélicas Jesus de Nazaré afirma que quando acontecer (o que ele predisse nestas passagens), então se saberá que ele estará próximo de retornar. Para ser mais preciso ainda, Jesus de Nazaré afirma, nestas passagens evangélicas, que não passará está geração (a qual ele estava vivendo) até que tudo, o que ele profetizou, aconteça. Mas a geração dele passou e nada
aconteceu. Por outro lado, existe hoje alguém vivo daquela geração?
Não. O Reino de Deus mencionado por ele, surgiu? Não. Na realidade, quando Jesus de Nazaré morreu na cruz, segundo está registrado nos relatos dos Evangelhos, o povo judeu permaneceu sob jugo do Império Romano e, depois surgiu a denominação religiosa intitulada Igreja Católica Apostólica Romana, a qual juntamente com a sua tirania dogmática e o seu anti-semitismo, presente em muitos dos ditos dos Pais da Igreja, perseguiu e causou a morte milhões de judeus.
As passagens dos Evangelhos,
em que Jesus de Nazaré afirma que ele será rejeitado, escarnecido, ultrajado, que sofrerá muito nas mãos dos homens, e que por fim será morto e que ressuscirá ao terceiro dia após a sua morte, são:
Evangelho de Mateus 16,20-23; Evangelho de Mateus 17,10-13; Evangelho de Mateus 17,21-22; Evangelho de Mateus 20,17-19; Evangelho de Mateus 20,28; Evangelho de Mateus 26,26-28; Evangelho de Mateus 26,44-46; Evangelho de Mateus 26,53-56; Evangelho de Marcos 8,31-32; Evangelho de Marcos 9,11-13; Evangelho de Marcos 9,30-32; Evangelho de Marcos 10,32-34; Evangelho de Marcos 10,45; Evangelho de Marcos 14,22-24; Evangelho de Marcos 14,39-42; Evangelho de Marcos 14,47-50; Evangelho de Lucas 9,22; Evangelho de Lucas 9,22; Evangelho de Lucas 9,43-45; Evangelho de Lucas 12,49-50; Evangelho de Lucas 17,24-25; Evangelho de Lucas 18,31-34; Evangelho de Lucas 19,10; Evangelho de Lucas 24,25-26; Evangelho de Lucas 24,44-47; Evangelho de João 18,32;
Porém, as únicas passagens dos Evangelhos em que ele explica que o sofrimento pelo qual ele iria passar seria para dar a sua vida em resgate ou redenção por muitos ou por uma multidão, que derramaria o seu sangue em remissão dos pecados de muitos homens, e que veio para procurar e salvar o que estava perdido, são:
Evangelho de Mateus 20,28; Evangelho de Mateus 26,26-28; Evangelho de Marcos 10,45; Evangelho de Marcos 14,22-24; Evangelho de Lucas 19,10; Evangelho de Lucas 24,25-26;
Por outro lado, por que Jesus de Nazaré precisaria morrer? Para ser Messias? Para apagar os pecados do mundo, como ensinam apologistas cristãos? De acordo com estas informações, como fornecer uma interpretação para a morte de Jesus de Nazaré? Em primeiro lugar, deve ser lembrado que conforme está registrado nos Evangelhos, Jesus de Nazaré é apresentado como filho de uma judia de nome Maria de Nazaré, conforme está registrado nas passagens do Evangelho de Mateus 1,18-25, Evangelho de Mateus 2,1-23, Evangelho de Lucas 1,26-56 e Evangelho de Lucas 2,1-52.
Conforme está registrado na passagem do Evangelho de Lucas 2,21, a Berith Milah (Aliança da Circuncisão) de Jesus de Nazaré foi realizada no oitavo dia após o seu nascimento, conforme está prescrito na passagem escritural Torá Bereshit (Gênesis) 17,9-14. Conforme está registrado na passagem do Evangelho de Lucas 2,22-24, Maria de Nazaré realizou o ritual de Tevilah (Oferta de Purificação da Parturiente), conforme está prescrito na passagem escritural Torá Vaicrá (Levítico) 12,1-8. Conforme está registrado na passagem do Evangelho de Lucas 2,22-24, após concluir os dias de sua purificação, Maria de Nazaré compareceu ao Templo de Jerusalém para realizar a cerimônia do Pidion-Haben (Resgate do Primogênito), conforme está prescrito nas passagens escriturais Torá Shemot (Êxodo) 13,11-16 e Torá Bamidbar (Números) 18,15-16. Conforme está registrado na passagem do Evangelho de Lucas 2,41-52, Jesus de Nazaré celebrou (pelo menos é o que indica) o seu Bar-Mitzvah (Celebração da maior idade de um menino judeu perante o Eterno, Bendito Seja, e perante a sociedade) na cidade de Jerusalém.
Em segundo lugar, apologistas cristãos ensinam que o sangue de Jesus de Nazaré foi derramado como remissão dos pecados de todos os seres humanos, em lugar dos antigos sacrifícios, segundo prescrito na Torá, na qual a salvação do ser humano dependia, até antes do surgimento de Jesus de Nazaré, do sacrifício de animais. Mas, com o derramamento do sangue de Jesus de Nazaré, e com a sua morte, a possibilidade de salvação dos homens só pode ser possível através dele e que fora dele não há salvação.
E, para isto, apologistas cristãos se baseiam nas passagens do Evangelho de Mateus 20,28, Evangelho de Mateus 26,26-28, Evangelho de Marcos 10,45, Evangelho de Marcos 14,22-24, Evangelho de Lucas 19,10 e Evangelho de Lucas 24,25-26, mencionadas acima.
Mas isto é o que ensinam apologistas cristãos. Porém, deve ser conhecido que a Torá não contém ensinamentos sobre Salvação de seres humanos, pois os homens não estão previamente condenados e nem tão pouco carecem de salvação, como ensinam apologistas cristãos.
Quando, nas Escrituras Hebraicas, se faz menção ou se encontra a palavra Salvação, atribuída como oriunda do Eterno, Bendito Seja, é identificado que Ele é que é o Salvador. Mas isto é no sentido localizado e circunstancial, ou seja, em um determinado local e em uma determinada época. Como exemplo, as Escrituras Hebraicas relatam os acontecimentos referentes aos cativeiros egípcio e babilônico, nos quais os judeus foram salvos pelo Eterno, Bendito Seja.
Na realidade, a alma humana não carece de salvação, mas de crescimento no conhecimento do Eterno, Bendito Seja, e da Sua vontade [Nos passos do Retorno – Descendentes dos Cristãos Novos – Descobrindo o Judaísmo de seus Avós Portugueses – João Fernandes Dias de Medeiros – Nordeste Gráfica e Editora – Natal (2005)]. E isto, o conhecimento e a vontade do Eterno, Bendito Seja, são encontrados nos cinco livros que compõem a Torá, estando ela muito próxima aos judeus para que eles os observem,
segundo está escrito:
“Isto, quando obedecerdes à voz do Eterno, teu Deus, para guardares Seus mandamentos e Seus estatutos, escritos neste livro da Torá; quando voltares ao Eterno, teu Deus, com todo teu coração e com toda tua alma. Porque este mandamento que eu te ordeno hoje não te é encoberto nem está longe de ti. Não está nos céus para dizeres: Quem subirá por nós aos céus, para que o traga a nós e nos faça ouvi-lo, para que o observemos? Nem está além do mar, para dizeres: Quem passará por nós além do mar, para que o traga a nós e nos faça ouvi-lo, para que o observemos? Pois isso está muito perto de ti, na tua boca e no teu coração, para que o observes” [Torá Devarim (Deuteronômio) 30,10-14].
O ser humano não está sob condenação, pois o Eterno, Bendito Seja, ao criar o homem, no sexto dia da Criação, observou que era muito bom, segundo está escrito:
“E Deus disse: Façamos homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança, e que domine sobre o peixe do mar, sobre a ave dos céus, sobre o animal e em toda a terra, e sobre todo réptil que se arrasta na terra!” E Deus criou o homem à Sua imagem, à imagem de Deus o criou; macho e fêmea criou-os. E Deus os abençoou e Deus lhes disse: “Frutificai, multiplicai, enchei a terra e subjulgai-a, e dominai sobre o peixe do mar, sobre a ave dos céus e sobre todo o animal que se arrasta na terra!” E Deus disse: “Eis que vos tenho dado toda erva que dá semente que está sobre a face de toda a terra, e toda árvore em que há fruto de árvore que dê semente; a vós será para comer. E para todo animal da terra, para toda ave dos céus e para tudo que se arrasta sobre a terra – em que haja alma viva - , toda verdura de erva será para comer!”, e assim foi. E Deus viu tudo o que fez e eis que era muito bom. E foi tarde e foi manhã, o 6º dia” [Torá Bereshit (Gênesis) 1,26-31].
Por outro lado, convém esclarecer que o Eterno, Bendito Seja, pôs Adam (Adão) no Gan Eden (Jardim do Éden) para cultivá-lo e guardá-lo e ordenou ao mesmo que ele poderia comer de todas as árvores deste jardim, com exceção da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, pois em caso contrário ele morreria, segundo está escrito:
“E o Eterno Deus tomou o homem e o pôs no jardim do Éden, para o cultivar e guardá-lo. E o Eterno Deus ordenou ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim podes comer. Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás, pois no dia em que dela comeres morrerás!”[Torá Bereshit (Gênesis) 2,15-17].
Mas Adam (Adão) e, logo em seguida, Chavá (Eva) desobedeceram ao Eterno, Bendito Seja, e comeram do fruto desta árvore e foram descobertos, segundo está escrito:
“E disse: “Quem te disse que estás nu? Por acaso comestes da árvore da qual te ordenei não comer?” – e o homem disse: A mulher que deste para mim, ela me deu da árvore e comi. E o Eterno Deus disse à mulher: “Que fizeste?” – e a mulher respondeu: A serpente me enganou e comi” [Torá Bereshit (Gênesis) 2,11-13].
Diante da passagem escritural Torá Bereshit (Gênesis) 3,11, o professor e Grão Rabino Hirsch (Zvi) Perez Chajes (1876 – 1927) ensina que a transgressão cometida por Adam (Adão) e Chavá (Eva) consistiu no ato de terem comido de uma fruta, a qual não contribuíram com esforço e nem com cuidado. Diante deste ensinamento, cada ser humano deve obter sabedoria através de esforço próprio, pois somente o reconhecimento pessoal e o aprofundamento individual no estudo possuem valor e prevalece [Sermões – Rabino Menahem Mendel Diesendruck – Editora Perspectiva S.A. – São Paulo (1978) – ISBN: 85-273-0664-6].
E a punição de Adam (Adão) e Chavá (Eva) foi imediata, sendo eles expulsos do Jardim do Éden, segundo está escrito:
“E o Eterno Deus disse: Eis que o homem se tornou como um de Nós, para conhecer o bem e o mal. Agora, talvez ele estenda a sua mão e tome também da árvore da vida, como e viva para sempre. E o Eterno Deus enviou-o do jardim do Éden – de onde havia sido tomado – para cultivar a terra, e expulsou o homem, e colocou – ao oriente do jardim do Éden – os querubins com uma lâmina flamejante de espada que se volvia, para guardar o caminho da árvore da vida” [Torá Bereshit (Gênesis) 3,22-24].
Em seus comentários sobre a Torá Bereshit (Gênesis), o Rabino Shelomo ben Yits’chaki, Rashi (1040 – 1105) ensina que o Eterno, Bendito Seja, lamentou a transgressão cometida por Adam (Adão) e Chavá (Eva) e suas conseqüências, pois se tornou impossível para Ele mantê-los no Gan Eden (Jardim do Éden).
Assim, ao comer da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, eles tornaram-se conhecedores do bem e do mal e também se tornaram únicos entre os seres terrestres, da mesma forma que o Eterno, Bendito Seja, é Único entre os seres celestiais, pois a partir da transgressão cometida, Adam (Adão) e Chavá (Eva) passaram a diferenciar entre o bem e o mal, a qual era e é uma qualidade que outros seres não possuíam e nem possuem. Devido à obtenção desta qualidade, surgiu um problema: Se o homem mantivesse a capacidade de viver para sempre, ele poderia passar os seus dias somente buscando prazeres e deixando de lado o crescimento intelectual e as boas ações e, assim, ele jamais poderia obter a felicidade espiritual que o Eterno, Bendito Seja, planejou [Sapirstein Edition Rashi – Rabbi Shelomo ben Yits’chaki – Volume 1 – Bereishis – The Torah with Rashi's commentary translated, annotated, and elucidated by Rabbi Yisrael Herczeg – The Artscroll Series – Mesorah Publications – New York (1998) – ISBN: 0-89906-026-9].
Em seus comentários sobre a Torá Bereshit (Gênesis), o Rabino Moshe ben Nachman (1194 – 1270) ensina que o homem precisou ser expulso do Gan Eden (Jardim do Éden), pois além de saber diferenciar entre o bem e o mal ele poderia comer da Árvore da Vida e tornar-se-ia imortal [Commentary on the Torah – Rabbi Moshe ben Nachman – Volume 1 – Genesis – Translated by Rabbi Charles B. Chavel – Shilo Publishing House, Inc. – New York (1971) – ISBN: 978-0883280065]. Estando Adam (Adão) e Chavá (Eva) expulsos do Gan Eden (Jardim do Éden), eles passaram a viver limitados pelo tempo, ou seja, eles passaram a viver, mas envelheceram e morreram fisicamente.
E envelhecimento e morte física não foram criados pelo Eterno, Bendito Seja, durante os setes dias da Criação do mundo. Portanto, ao nascer, o ser humano vive, crece, envelhece, mas está condenado a morrer fisicamente, porém a sua Alma (Néfesh) permanece viva. E nada e nem ninguém pode modificar isto. Por outro lado, nenhum dos discípulos de Jesus de Nazaré ressuscitou e até hoje os seguidores dele nascem, vivem, crescem, envelhecem, mas estão condenados a morrerem fisicamente.
Além disto, Jesus de Nazaré nasceu, cresceu e não escapou da morte, pois os Evangelhos relatam a morte dele, conforme está registrado nas passagens do Evangelho de Mateus 27,50, Evangelho de Marcos 15,37, Evangelho de Lucas 23,46 e Evangelho de João 19,30. Assim, Jesus de Nazaré, ao nascer, também estava previamente condenado a morrer fisicamente porque era um homem comum como qualquer outro.
Após a Criação, o Eterno, Bendito Seja, formou Adam (Adão) do pó da terra, segundo está escrito:
“E o Eterno Deus formou o homem [Adám] do pó da terra, e soprou em suas narinas o alento da vida e o homem tornou-se alma viva” [Torá Bereshit (Gênesis) 2,7].
Na realidade, Adam (Adão) possuía cérebro para pensar e sangue em suas veias para se movimentar, mas era um corpo sem vida, um simples cadáver. Então, o Eterno, Bendito Seja, soprou em suas narinas o Alento da Vida (Ruach), e Adam (Adão) se tornou uma Alma Viva, um Ser Vivente. Deve-se observar que a Torá não registra que Adam (Adão) recebeu uma Alma (Néfesh), mas registra que o homem se tornou Alma Viva. Quando o Eterno, Bendito Seja, forneceu o Alento da Vida (Ruach) a Adam (Adão), a vida começou a fluir a partir do Eterno, Bendito Seja. Assim, a união do Corpo sem Vida de Adam (Adão), constituído do Pó da Terra, com o Alento da Vida (Ruach) tornou Adam (Adão) uma Alma Viva, um Ser Vivente.
Assim, Pó da Terra (Corpo sem Vida) + Alento da Vida (Ruach) = Alma Viva (Ser Vivente). Portanto, cada ser humano possui um corpo e uma mente racional, e enquanto continuar a respirar, ele é uma Alma Viva, um Ser Vivente. Quando o ser humano morre reverte-se o processo criativo descrito na passagem escritural Torá Bereshit (Gênesis) 2,7, segundo está escrito:
“Com o suor de teu rosto comerás pão, até voltares para a terra – pois dela foste tomado – pois tu és pó e ao pó hás de retornar” [Torá Bereshit (Gênesis) 2,19].
E ainda está escrito:
“Volta assim o pó à terra de onde veio, e retorna o espírito a Deus, que o concedeu” [Cohélet (Eclesiastes) 12,7].
As Escrituras Hebraicas, quando traduzidas, freqüentemente usam, alternadamente, as palavras Alento (Ruach = Espírito) = Alma (Néfesh), que não devem ser entendidas como outros seres, pois isto é obra de apologistas cristãos, os quais as utilizaram para introduzirem o conceito da Trinidade Cristã [Mishné Torá – Sêfer ha-Madá (Livro da Sabedoria) – As Leis Fundamentais da Torá – Capítulo 4 – Rabino Moshê ben Maimon – Traduzido por Rabino Yaacov Israel Blumenfeld – Série Diversos – Imago Editora, Rio de Janeiro (2000) – ISBN: 85-312-0226-4; Mishné Torá – Sêfer ha-Madá (Livro da Sabedoria) – Leis sobre o Arrependimento – Capítulo 8 – Rabino Moshê ben Maimon – Traduzido por Rabino Yaacov Israel Blumenfeld – Série Diversos – Imago Editora, Rio de Janeiro (2000) – ISBN: 85-312-0226-4].
Quando o ser humano morre o seu corpo se torna pó e a sua Alma (Néfesh) retorna ao Eterno, Bendito Seja, a sua fonte, segundo está escrito:
“E a palavra do Eterno veio a mim, dizendo-me: O que quereis dizer com esse provérbio que usais na terra de Israel: ‘Os pais comeram frutas não maduras (cometeram pecados) e os dentes dos filhos enfraqueceram-se (foram punidos)’? Pela minha vida – diz o Eterno Deus – que não tereis mais ocasião de empregar este provérbio em Israel! Eis que todas as almas são Minhas. Como a alma do pai, assim também a alma do filho é Minha! A alma que pecar há de morrer” [Iehezkel (Ezequiel) 18,1-4].
Nesta passagem escritural, o Eterno, Bendito Seja, afirma, implicitamente que toda a alma, mas toda a alma no sentido de cada ser humano, que transgride a Torá há de morrer. Assim, Pó da Terra – Alento da Vida (Ruach) = Alma Viva (Ser Vivente) morta. A morte é a cessação da vida. Depois da morte, o corpo humano se decompõe juntamente com o cérebro. E a partir disto, ele, o ser humano, deixa de possuir a capacidade de lembrar algo. Todas as emoções humanas cessam e o ser humano se torna pó.
Após a morte do ser humano, o Eterno, Bendito Seja, toma para si o Alento (Ruach = Espírito) = Alma (Néfesh) que Ele concedeu ao homem. O Alento (Ruach = Espírito) = Alma (Néfesh) retorna ao Eterno, Bendito Seja. O ser humano é alma com vida, mas na morte, ele é apenas um cadáver, uma Alma Viva morta, um Ser Vivente morto. Logo, os mortos não estão conscientes, segundo está escrito:
“Ao perceber tudo isto, preocupei-me em assegurar que o sábio e o justo, bem como todas as suas ações, estejam nas mãos de Deus; até mesmo o sentimento de amor e ódio, sem que percebam, Ele põe diante deles. Da mesma forma chegam os acontecimentos para todos; o mesmo ocorre quer ao justo quer ao iníquo, ao bom, ao puro e ao impuro, ao que oferece sacrifícios e ao que se abstém de fazê-lo; ao reto e ao pecador, ao que jura e ao que teme fazer promessas. Isto é o pior mal de tudo que se passa sob o sol. Que para todos venham a acontecer as mesmas coisas, e também que o coração dos filhos dos homens esteja repleto de maldade e pleno de loucura por toda a extensão de sua vida, até alcançar a morte. Entretanto, para os vivos ainda há esperança, pois mais vale um cão vivo que um leão morto. Pois sabem os vivos que hão de morrer, mas nada mais podem saber os mortos, nem tampouco há para eles ainda qualquer recompensa, pois até sua recordação já foi esquecida. Perdido está também seu amor, seu ódio, até sua inveja, e não têm mais qualquer porção no que ocorre sob o sol” [Cohélet (Eclesiastes) 9,1-6].
De acordo com o que foi explicado sobre a vida, a morte, e a alma e se foi bom também criar o homem, conforme está registrado na passagem escritural Torá Bereshit (Gênesis) 1,31, então porque ele deve estar previamente condenado? Que condenação é esta? A única condenação imposta ao homem é que ele deve morrer fisicamente, mas a sua Alma (Néfesh) retorna ao Eterno, Bendito Seja.
E nada e nem ninguém pode modificar isto. Jesus de Nazaré, ao nascer, também estava previamente condenado a morrer fisicamente porque era um homem comum como qualquer outro. Porém, foi Paulo de Tarso (3 d.e.c. – 66 d.e.c.), considerado por apologistas cristãos como o seguidor mais importante de Jesus de Nazaré, mesmo sem tê-lo conhecido, quem idealizou a absurda teologia da condenação do ser humano, ensinando que o ser humano está condenado e que a sua salvação [o que deve, segundo ele, incluir também a sua Alma (Néfesh)] foi realizada pelo derramamento do sangue de Jesus de Nazaré, segundo está escrito:
“Mas, agora, sem o concurso da lei, manifestou-se a justiça de Deus, atestada pela lei e pelos profetas. Esta é a justiça de Deus pela fé
em Jesus Cristo, para todos os fiéis (pois não há distinção; com efeito, todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus), e são justificados gratuitamente por sua graça; tal é a obra da redenção, realizada
em Jesus Cristo. Deus o destinou para ser, pelo seu sangue, vítima de propiciação mediante a fé. Assim, ele manifesta a sua justiça; porque no tempo de sua paciência, ele havia deixado sem castigo os pecados anteriores” (Epístola de Paulo aos Romanos 3,21-25).
Sobre esta passagem da Epístola de Paulo aos Romanos, observa-se de início que Paulo de Tarso afirma que a justiça do Eterno, Bendito Seja, se manifestou sem o concurso da lei, referindo-se a Torá, devido à redenção realizada através do derramamento do sangue de Jesus de Nazaré. E que no tempo da Sua paciência, o Eterno, Bendito Seja, deixou sem castigo as transgressões cometidas pelos homens. Mas tudo isto é um grande absurdo.
Em primeiro lugar, a justiça divina não aceita que um inocente seja supliciado em lugar de um ou mais culpados. O Eterno, Bendito Seja, não aceita que amigos ou parentes morram em lugar de outros, segundo está escrito:
“Não se fará morrer os pais pelo testemunho dos filhos, nem os filhos pelo testemunho dos pais. Cada um morrerá pelo seu próprio pecado” [Torá Devarim (Deuteronômio) 24,16].
E em Tehilim (Salmos) isto é reforçado, segundo está escrito:
“Os que se fiam em sua força e de suas riquezas imensas se vangloriam, nem mesmo a seu irmão podem eles remir, nem ao Eterno oferecer resgate por sua morte, pois tão alto é o preço da vida, que jamais poderá ser alcançado pelo homem, para viver eternamente e não chegar ao sepulcro. Pois se vê que morre o sábio assim como perecem os tolos e insensatos, deixando a outros suas riquezas. Pensavam os ímpios que eternas seriam suas casas, e por gerações sucessivas persistiram suas moradas; até deram seus próprios nomes às suas terras. Porém o homem, com toda sua riqueza, não persiste, pois como qualquer ser vivo, é mortal. Este é o destino – frustrando sua imensa autoconfiança –, vivenciado também por todos que os seguem. Como ovelhas, são tangidos ao sepulcro pela morte, e os justos terão domínio sobre eles; sua beleza e sua força se consumirá e somente a profundeza do Sheól será sua morada. Mas minha alma será redimida do Sheól, pois o Eterno me resgatará” [Tehilim (Salmos)
49,7-16].
Como se lê na passagem escritural acima, mesmo os que possuem riquezas não podem ser resgatados da morte, pois o preço das suas vidas é muito alto, sejam estes sábios ou tolos. Todos são mortais, mas é o Eterno, Bendito Seja, o único quem pode resgatar ou remir aos seres humanos. Além do mais, nem a justiça dos homens, que é terrena, aceita aplicar pena a um ser humano que não é autor de um crime cometido.
No início de qualquer julgamento em tribunal cumpri-se um rito que é o de fornecer informações sobre a identidade do réu, para que o júri e as testemunhas presentes observem que se trata daquela pessoa, o réu, em particular, que está sendo julgado, e não um outro. O prefeito romano da província da Judéia entre os anos de 26 d.e.c. e 36 d.e.c., Pontius Pilatus (? – 36 d.e.c.), foi quem julgou Jesus de Nazaré e cumpriu este rito dentro do Direito Romano, conforme está registrado nas passagens do Evangelho de Mateus 27,11-26, Evangelho de Marcos 15,1-15, Evangelho de Lucas 23,1-25 e Evangelho de João 18,28-40.
Outro exemplo que atesta isto foi quando ele ordenou escrever, sobre a cruz carregada por Jesus de Nazaré, a sentença Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus, conforme está registrado nas passagens do Evangelho de Mateus 27,37, Evangelho de Marcos 15,26 e Evangelho de João 19,19. Porém, somente na passagem do Evangelho de João 19,19 está registrado que esta frase foi redigida nas línguas grega, latina e hebraica.
Este rito jurídico é seguido até hoje, em vários países do mundo, para se evitar que um inocente seja julgado em lugar do culpado. Porém, apologistas cristãos desejam fazer crer que, na Justiça Divina, Jesus de Nazaré, creditado por eles como inocente, seja julgado e morto em lugar de culpados [Nos passos do Retorno – Descendentes dos Cristãos Novos – Descobrindo o Judaísmo de seus Avós Portugueses – João Fernandes Dias de Medeiros – Nordeste Gráfica e Editora – Natal (2005)].
Como pode?
Em segundo lugar, os sacrifícios de animais de gado e do rebanho, oferecidos de acordo com a Torá, visavam a Adoração do Eterno, Bendito Seja, e não a Salvação do ofertante, pois o ofertante (adorador) não está sob condenação. Além do mais, a própria Maria de Nazaré, mãe de Jesus de Nazaré, após o período de tempo da sua purificação, levou a sua Oferta de Agradecimento (Zebach Todá) ao Templo de Jerusalém, segundo está escrito:
“Concluídos os dias da sua purificação segundo a lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentar ao Senhor: “Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor” (Êx 13,2); e para oferecerem o sacrifício prescrito pela lei do Senhor, um par de rolas ou dois pombinhos” (Evangelho de Lucas 2,22-24).
Isto implica afirmar que Maria de Nazaré realizou a cerimônia da sua purificação
em um Micveh (Tanque contendo água limpa proveniente da chuva ou de uma nascente, os quais são utilizados para a purificação de um judeu ou judia). Assim, não sendo os sacrifícios de animais destinados à salvação dos ofertantes, ou para redimir os pecados deles, por que, o Eterno, Bendito Seja, ordenou na Torá a realização dos Sacrifícios de Elevação, Sacrifícios de Pazes, Sacrifícios de Pecado e as Oblações?
Na realidade, o Eterno, Bendito Seja, não ordenou na Torá que o homem oferecesse sacrifícios de animais, mas apologistas cristãos é que ensinam isto. A Torá apenas contém a regulamentação do desejo humano de adorar ao Eterno, Bendito Seja, através dos sacrifícios de animais, já que o homem dispõe dos animais e os domina, de acordo com a vontade do Eterno, Bendito Seja, segundo está escrito:
“E Deus disse: Façamos homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança, e que domine sobre o peixe do mar, sobre a ave dos céus, sobre o animal e em toda a terra, e sobre todo réptil que se arrasta na terra!” E Deus criou o homem à Sua imagem, à imagem de Deus o criou; macho e fêmea criou-os. E Deus os abençoou e Deus lhes disse: “Frutificai, multiplicai, enchei a terra e subjulgai-a, e dominai sobre o peixe do mar, sobre a ave dos céus e sobre todo o animal que se arrasta na terra!” E Deus disse: “Eis que vos tenho dado toda erva que dá semente que está sobre a face de toda a terra, e toda árvore em que há fruto de árvore que dê semente; a vós será para comer. E para todo animal da terra, para toda ave dos céus e para tudo que se arrasta sobre a terra – em que haja alma viva –, toda verdura de erva será para comer!, e assim foi. E Deus viu tudo o que fez e eis que era muito bom. E foi tarde e foi manhã, o 6º dia” [Torá Bereshit (Gênesis) 1,26-31].
De fato, a Torá contém a regulamentação dos sacrifícios a serem realizados utilizando animais do gado e do rebanho, segundo está escrito:
“E o Eterno chamou a Moisés e falou-lhe da tenda da reunião, dizendo: “Fala aos filhos de Israel e diz-lhes: Quando algum de vós oferecer sacrifício ao Eterno, fareis vosso sacrifício de animal do gado e do rebanho” [Torá Vaicrá (Levítico) 1,1-2].
Deve ser observado que o versículo ...Quando algum de vós oferecer sacrifício ao Eterno, fareis vosso sacrifício de animal do gado e do rebanho.... não expressa ordenação ou obrigatoriedade, mas expressa regulamentação.
E a regulamentação dos Sacrifícios de Elevação (Olá), Sacrifícios de Pazes (Shelamim), Sacrifícios de Pecado (Chatat) e as Oblações (Minchot) estão descritas nas passagens escriturais Torá Vaicrá (Levítico) 1,1-17, Torá Vaicrá (Levítico) 2,1-16, Torá Vaicrá (Levítico) 3,1-17, Torá Vaicrá (Levítico) 4,1-35, Torá Vaicrá (Levítico) 5,1-26, Torá Vaicrá (Levítico) 6,1-23, Torá Vaicrá (Levítico) 7,1-38, Torá Vaicrá (Levítico) 16,1-34, Torá Vaicrá (Levítico) 17,1-9, Torá Vaicrá (Levítico) 19,5-8, Torá Vaicrá (Levítico) 22,17-33 e Torá Devarim (Deuteronômio) 17,1.
Conforme mencionado anteriormente, o Eterno, Bendito Seja, não ordenou na Torá que o homem oferecesse sacrifícios de animais. E a prova disto foi dada pelo Eterno, Bendito Seja, por intermédio do Profeta Irmiáhu ben Hilkiáhu (Jeremias), segundo está escrito:
“Assim disse o Eterno dos Exércitos, o Deus de Israel: Juntai vossas ofertas de elevação às vossas ofertas de paz e comei sua carne. Pois nada falei nem ordenei a vossos pais, no dia em que os tirei da terra do Egito, em relação às oferendas de elevação ou às ofertas de paz. Somente isto lhes ordenei: Escutai Minha voz e serei vosso Deus e vós sereis Meu povo, e trilhai o caminho que Eu vos ordeno para que tudo vos corra bem” [Irmiáhu (Jeremias) 7,21-23].
Neste contexto, não estão incluídos animais rastejantes e nem tão pouco sacrifícios humanos. A experiência pela qual passou o Patriarca Avraham ben Térah (Abrahão), na qual foi impedido pelo Eterno, Bendito Seja, de sacrificar o seu próprio filho Its’hac ben Avraham (Isaac) é o maior exemplo de que o Eterno, Bendito Seja, rejeita sacrifícios humanos, segundo está escrito:
“Depois destes acontecimentos, Deus submeteu Abrahão a um teste. E disse-lhe: “Abrahão!” E disse: Eis-me aqui. E disse: “Toma, rogo, teu filho, teu único, a quem amas, a Isaac, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali como oferta de elevação, sobre um dos montes que te direi.” E Abrahão madrugou pela manhã, albardou o seu jumento e tomou seus 2 moços com ele, e Isaac, seu filho; e partiu lenha para a oferta de elevação, e levantou-se e foi ao lugar que Deus lhe dissera. No 3o dia, Abrahão levantou seus olhos e viu o lugar de longe. E Abrahão disse a seus moços: Ficai aqui com o jumento, e eu e o moço iremos até lá, e nos prostraremos e voltaremos a vós. E Abrahão tomou a lenha para a oferta de elevação e a pôs sobre Isaac, seu filho; e tomou em sua mão o fogo e a faca, e andaram ambos juntos. E Isaac falou a Abrahão, seu pai, e disse: Meu pai! – e falou: Eis-me, meu filho. E disse: Eis o fogo e a lenha, e onde está o cordeiro para a oferta de elevação? – e Abrahão disse: ‘Deus proverá para Si o cordeiro para a oferta de Elevação, meu filho’; e andaram ambos juntos. E chegaram ao lugar que Deus lhe havia dito e Abrahão edificou ali o altar, pôs a lenha em ordem, amarrou a Isaac, seu filho, e colocou-o no altar, sobre a lenha. E Abrahão estendeu sua mão e tomou a faca para imolar seu filho. E um anjo do Eterno chamou-o dos céus, e disse: “Abrahão, Abrahão!” – e disse: Eis-me aqui. E disse: “Não estendas tua mão ao moço e não lhe faças nada; pois agora sei que tu és temente a Deus, e não negaste teu filho, teu único, a Mim!” E Abrahão levantou seus olhos e viu, e eis que um carneiro estava embaraçado numa árvore por seus chifres; e Abrahão foi e tomou o carneiro, e o ofereceu em oferta de elevação, em lugar de seu filho. E Abrahão chamou o nome daquele lugar de ‘O Eterno verá’ [‘Adonai Ir’ê’], sobre o qual dirão futuramente: Neste Monte do Eterno (Deus) aparecerá (a seu povo). E um anjo do Eterno chamou a Abrahão, pela 2o vez dos céus, e disse: “Por mim jurei – disse o Eterno – porquanto fizeste esta coisa e não negaste teu filho, teu único, que te abençoarei e multiplicarei tua descendência como as estrelas do céu e como a areia que está à beira-mar, e tua descendência herderá a porta dos seus inimigos. E todas as nações da terra serão abençoadas em tua descendência, porque ouviste a Minha voz.” E Abrahão voltou a seus moços, e levantaram-se e foram juntos a Beer-Shéva; e Abrahão morou em Beer-Shéva” [Torá Bereshit (Gênesis) 22,1-19].
No entanto, a sociedade mundial está diante de várias denominações religiosas cristãs que fundamenta toda a sua estrutura teológica sobre o sacrifício de Jesus de Nazaré. Convém saber que desde a sua saída de Ur dos Caldeus [Torá Bereshit (Gênesis) 11,31], Avraham ben Térah (Abrahão) havia sido submetido pelo Eterno, Bendito Seja, a muitas provas nas quais demonstrou a sua completa confiança Nele.
A fidelidade de Avraham ben Térah (Abrahão) foi submetida à prova suprema quando Ele lhe ordenou sacrificar Its’hac ben Avraham (Isaac). Esta foi a décima e maior prova que ele precisou suportar para testemunhar que ele era digno de ser o pai do povo hebreu. Esta passagem escritural demonstra também a fidelidade e a obediência de Its’hac ben Avraham (Isaac). Naturalmente, o Eterno, Bendito Seja, não deseja seres humanos como oferenda, e a prova disto é que Ele não desejou que Avraham ben Térah (Abrahão) realmente sacrificasse o seu filho Its’hac ben Avraham (Isaac). Apesar de tudo isto, durante uma discussão com fariseus, Jesus de Nazaré retruca, segundo está escrito:
“Mas, agora, procurais tirar-me a vida, a mim que vos falei a verdade que ouvi de Deus! Isso Abraão não o fez” (Evangelho de João 8,40).
Isto Avraham ben Térah (Abrahão) não fez? O que Avraham ben Térah (Abrahão) não fez? A trajetória de Avraham ben Térah (Abrahão) na Torá inicia na passagem escritural Torá Bereshit (Gênesis) 11,31 e encerra na passagem escritural Torá Bereshit (Gênesis) 25,10. E tudo o que o Eterno, Bendito Seja, ordenou a Avraham ben Térah (Abrahão) para fazer, este fez e cumpriu toda a sua missão, a qual através dele surgiu o povo judeu. E o que Jesus de Nazaré fez?
Convém saber que o domínio romano na província da Judéia iniciou no ano de
63 a.e.c., sob o comando do general romano Cnaeus Pompeius Magnus, O Grande (
106 a.e.c. –
48 a.e.c.) e encerrou com a destruição da cidade de Jerusalém e do Templo de Jerusalém no ano de 70 d.e.c., sob o comando do general romano Titus Flavius (39 d.e.c. – 81 d.e.c.). Durante este domínio, que se estendeu por 137 anos, milhares de judeus foram julgados e condenados à morte por crucificação.
Como aceitar o ensinamento de apologistas cristãos que desejam destacar que, dentre estas milhares de crucificações judiciais e/ou tirânicas, apenas uma única foi realizada para a remissão dos pecados dos homens, quando na realidade todos os judeus que morreram na cruz durante este domínio passaram pelo mesmo sofrimento que Jesus de Nazaré? Além disto, após a morte de Jesus de Nazaré, segundo relatos dos Evangelhos, como aceitar que, até hoje, só e somente ele foi quem ressuscitou, segundo relatos dos Evangelhos? O que Jesus de Nazaré fez?
Mas estes ensinamentos já eram de se esperar do Cristianismo, uma denominação religiosa que se espalhou pelo mundo através da tirania dogmática desenvolvida no seio do Império Romano. Deve-se saber que a igreja, após o Concílio de Nicéia, ocorrido no ano de 325, aprovou apenas quatro evangelhos e, em suas narrativas, tudo arranjou para inocentar aos romanos e culpar aos judeus pela morte de Jesus de Nazaré [Nos passos do Retorno – Descendentes dos Cristãos Novos – Descobrindo o Judaísmo de seus Avós Portugueses – João Fernandes Dias de Medeiros – Nordeste Gráfica e Editora – Natal (2005)].
Bibliografia:
Nos passos do Retorno – Descendentes dos Cristãos Novos – Descobrindo o Judaísmo de seus Avós Portugueses – João Fernandes Dias de Medeiros – Nordeste Gráfica e Editora – Natal (2005).
Sermões – Rabino Menahem Mendel Diesendruck – Editora Perspectiva S.A. – São Paulo (1978) – ISBN: 85-273-0664-6.
Sapirstein Edition Rashi – Rabbi Shelomo ben Yits’chaki – Volume 1 – Bereishis – The Torah with Rashi's commentary translated, annotated, and elucidated by Rabbi Yisrael Herczeg – The Artscroll Series – Mesorah Publications – New York (1998) – ISBN: 0-89906-026-9.
Commentary on the Torah – Rabbi Moshe ben Nachman – Volume 1 – Genesis – Translated by Rabbi Charles B. Chavel – Shilo Publishing House, Inc. – New York (1971) – ISBN: 978-0883280065.
Mishné Torá – Sêfer ha-Madá (Livro da Sabedoria) – As Leis Fundamentais da Torá – Capítulo 9 – Rabino Moshê ben Maimon – Traduzido por Rabino Yaacov Israel Blumenfeld – Série Diversos – Imago Editora, Rio de Janeiro (2000) – ISBN: 85-312-0226-4.
Bíblia Sagrada – Tradução dos originais mediante a versão dos monges de Maredsous (Bélgica) pelo Centro Bíblico Católico – Edição Claretiana – Editora Ave Maria Ltda. – Edição 119ª Revista por Frei José Pedreira de Castro, O.F.M. e pela equipe auxiliar da Editora – São Paulo – Brasil (1997).
Torá – A Lei de Moisés – Tradução, explicações e comentários do Rabino Meir Matzliah Melamed Z”L com comentários extraídos do Sidur Matzliah, em português, e as Meguilot de Ester e Cântico dos Cânticos, em português – Enriquecida pelos comentários do Rabino Menahem Mendel Diesendruck Z”L extraídos, mediante autorização, de sua obra Sermões – Comentários compilados, redigidos e editados por Jairo Fridlin – Inclui a tradução das Cinco Meguilot, três delas (Rute, Echá e Cohélet) traduzidas e comentadas por David Gorodovits e Ruben Najmanovich além de um moderno texto hebraico da Torá, das Haftarót e Meguilot, acompanhado da tradução de Onkelos para o aramaico e dos comentários exegéticos de Rashi, Baal Haturim, Toldot Aharon e Icar Siftê Chachamim – Editora e Livraria Sêfer Ltda. – São Paulo, Brasil (2001) – ISBN: 85-85583-26-6.
Bíblia Hebraica – Baseada no Hebraico e à luz do Talmud e das Fontes Judaicas – David Gorodovits e Jairo Fridlin – Editora e Livraria Sêfer LTDA – São Paulo, Brasil (2006) – ISBN: 85-85583-73-8.
Autor: Zahav Yalom Putzah
|